Alison dos Santos faz tempo da vida, é bronze e derruba tabu de 33 anos

Tóquio, Japão – Com tempo de 46s72, Alison dos Santos conquistou hoje, no Estádio Olímpico de Tóquio, a medalha de bronze na prova de 400m com barreiras. Foi a primeira medalha do atletismo brasileiro nessa edição das Olimpíadas. Essa foi a prova mais forte da história da prova. O norueguês Karsten Warholm fez o tempo de 45s94 e bateu recorde mundial. O americano Rai Benjamin chegou em segundo com tempo de 46s17.

Desde Seul 1988, com Joaquim Cruz (prata nos 800 metros) e Robson Caetano (bronze nos 200 metros), o atletismo brasileiro não conquistava uma medalha em provas individuais de pistas.

Mas a medalha de Alison representa mais do que a 17ª conquista da modalidade. É também a volta do respeito ao uniforme verde-amarelo nas pistas de atletismo. O brasileiro desembarcou na capital japonesa como o terceiro colocado do ranking mundial e não se intimidou com os adversários.

Pelo contrário, o menino de São Joaquim da Barra, no interior de São Paulo, já se escondeu demais e hoje mostra o seu rosto para o mundo. Por conta de queimaduras no corpo, que o reservaram momentos de muita timidez na adolescência, ele demorou a ingressar no esporte e, quando enfim decidiu pela carreira, chegou a correr de boné.

Ao se classificar para a final, Piu, como também é conhecido, havia previsto que a disputa pela medalha seria muito dura. Dos oito classificados, sete estavam entre os oito melhores do ranking e três já havia corrido a prova esse ano abaixo dos 47s (Warholm, Benjamin e Samba), ele mesmo havia feito 47s31, o segundo melhor tempo geral, apenas 0s01 atrás do norueguês.

Warholm, inclusive, pulverizou o recorde mundial, que era de 46s70. Com todos os tempos somados, foi a prova mais rápida da história dos 400 metros com barreiras apesar do calor de 32º C no Estádio Olímpico.

“Foi uma prova incrível. Quando você está correndo, você não tem noção do tempo que vai fazer, mas eu sabia que a prova estava realmente muito forte. Sabia que eu estava brigando pela fazer um bom tempo por correr pra correr muito rápido para fazer história”, disse Alison, que quebrou o recorde sul-americano pela sexta vez no ano.

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