Federação Americana de Ginástica declara falência

A USA Gymnastics apresentou uma petição voluntária de proteção, sob o Capítulo 11 do Código de Falência dos EUA, na tentativa de garantir sua sobrevivência.

A Confederação Estadunidense de Ginástica (USAGym) publicou ontem (5) em seu site um comunicado informando que a própria instituição protocolou um pedido de proteção sob o Capítulo 11 do Código de Falência dos Estados Unidos, através da Corte de Indiana, onde está localizada. Esse capítulo da condições para que as empresas, que atravessam dificuldades financeiras, possam se reorganizar, sob as leis do país.

Na prática, não é uma falência, mas uma tentativa de reverter o quadro de crise, financeira e moral, que a entidade tem vivido desde que os escândalos de abusos sexuais envolvendo um médico da seleção vieram à tona.

“Devemos aos sobreviventes resolver, totalmente e finalmente, as alegações baseadas nos horríveis atos do passado e, através desse processo, buscar agilizar a resolução e ajudá-los a avançar”, disse Kathryn Carson, que recentemente foi eleita presidente do Conselho de Ginástica dos EUA. “Nosso esporte é mais seguro e mais forte graças à bravura dessas mulheres. O arquivamento, sob o Capítulo 11, e a resolução acelerada dessas alegações são os primeiros passos críticos na reconstrução da confiança da comunidade. Isso não é uma liquidação, mas uma reorganização”, acrescentou.

John Manly, que representa dezenas de mulheres contra a USAGym, afirmou que “o pedido de falência de hoje pela USA Gymnastics foi o resultado inevitável da incapacidade dessa organização de cumprir sua principal responsabilidade, que é proteger seus membros de abuso”. “A liderança da ginástica nos EUA provou ser moral e financeiramente falida”.

A Confederação insiste que esse não é o caso, ressaltando que o registro é baseado em conveniência legal, não em dificuldades fiscais. Enquanto Carson reconheceu que o patrocínio caiu desde que as primeiras mulheres se apresentaram contra Nassar no outono de 2016, ela descreveu a condição financeira da entidade como “estável”.

A USAGym não tem um calendário sobre quanto tempo levará o processo de falência e não ofereceu uma estimativa do quanto ela espera pagar nos acordos. Suas portas, no entanto, permanecem abertas para os negócios. “Continuamos a perseguir todos os aspectos do nosso modelo operacional atual”, disse Carson. “Isso nos dá a oportunidade de reorganizar e resolver as reivindicações dos sobreviventes”.

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