Anti-LGBT, Margaret Court recebe maior honra da Austrália sob protestos

Melbourne, Austrália – Por décadas, Margaret Court foi o orgulho da Austrália. Em 17 anos de carreira, ela conquistou o – até hoje – inalcançável número de 24 títulos de Grand Slam em simples e 38 em duplas (mistas e simples).

Mas o seu legado foi profundamente manchado por uma série de comentários homofóbicos nos últimos anos. Court, agora pastora evangélica, é crítica ferrenha de atletas transgêneros e chegou a dizer que o ensino de conteúdo LGBTQ nas escolas é “obra do diabo”.

Em 2017, ela escreveu uma carta aberta dizendo que boicotaria a empresa aérea Qantas por seu apoio ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Naquele mesmo ano, ela disse que o tênis estava “cheio de lésbicas”.

Foram esses comentários que fizeram sua credibilidade cair entre o público australiano e levaram a um dilúvo de raiva que irrompeu após o anúncio de que ela receberia a maior honra de serviço público do país, o Companheiro da Ordem da Austrália.

Court já havia sido reconhecida com a Ordem do Império Britânico, em 1967, e outra homenagem de serviço australiano, em 2007.

No entanto, grupos de direitos humanos e a oposição política do país expressaram sua indignação com a nomeação da ex-atleta. Isso até levou uma médica em Canberra a devolver seu próprio prêmio em protesto.

Clara Tuck Meng Soo, uma mulher trans, disse que a decisão de conceder a homenagem à Court “promove a discriminação” às pessoas LGBTQ. O jornalista australiano Kerry O’Brien, por sua vez, rejeitou a honra por causa da “decisão profundamente insensível e divisionista”.

O líder estadual vitoriano, o premiê Daniel Andrews, disse: “Não acredito que ela tenha pontos de vista concordantes com a grande maioria das pessoas em nosso país, que vê as pessoas, principalmente da comunidade LGBTQ, como iguais e merecedoras de dignidade, respeito e segurança. ”

Sem citar nomes, Andrews também se manifestou no Twitter: “Eu não quero dar oxigênio às visões vergonhosas e fanáticas dessa pessoa”. E acrescentou: “as vitórias de Grand Slam não lhe dão o direito de vomitar ódio e criar divisão.”

Seus comentários foram feitos enquanto Victoria se preparava para sediar o Aberto da Austrália no Melbourne Park, onde a arena principal recebe o nome de Court.

Ano passado, estrelas do tênis pediram que seu nome fosse retirado do local – incluindo John McEnroe e Martina Navratilova -, que propuseram que deveria ser substituído pelo da campeã indígena Evonne Goolagong.

O primeiro-ministro australiano Scott Morrison se recusou a entrar no debate e afirmou que “(a Ordem da Austrália) é um sistema que reconhece todo o espectro de indivíduos no país.”

Em entrevista na última sexta-feira (22), Court insistiu que estava sendo injustiçada pelos seus críticos.

“Lembre-se que eu sou uma ministra do evangelho e tenho sido nos últimos 30 anos. Sempre digo o que a bíblia diz”.

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