A 100 dias para os Jogos, Tóquio 2020 enfrenta incertezas enquanto covid-19 avança na cidade olímpica

  • Casos de covid-19 cresceram na última semana em Tóquio, que está sob um 'quase estado de emergência'
  • Nova pesquisa mostra que apenas 24% da população apoia a realização do evento este ano
  • Jornais internacionais pedem que Jogos sejam novamente adiados ou cancelados, para evitar uma "super disseminação" de covid-19
A 100 dias para os Jogos, Tóquio 2020 enfrenta incertezas enquanto covid-19 avança na cidade olímpica

Brasil – Faltando 100 dias para os Jogos Olímpicos de Tóquio, cresce a insatisfação mundial com a realização do maior evento esportivo do planeta. Enquanto o Comitê Olímpico Internacional (COI) se mantém inflexível, afirmando repetidas vezes que “não há um plano B”, os japoneses e a imprensa internacional questionam se o evento é mesmo viável e necessário.

A situação da doença voltou a causar preocupação no mundo, inclusive na cidade olímpico. A governadora de Tóquio, Yuriko Koike, pediu ao governo central que autorizasse um quase estado de emergência na região para frear o aumento de casos. Na última semana, foram contabilizados 3276 novos casos – a pior semana desde o começo de janeiro, quando a cidade chegou a registrar mais de mil casos por dia.

A população local, que desde o ano passado têm levantado a voz contra a ideia de ter na ilha mais de 15 mil estrangeiros para o evento, acredita que há preocupações maiores no momento. Apenas 24% dos japoneses apoiam os Jogos este verão, revelou a mais recente pesquisa da Kyodo News.

Os jornais internacionais também publicaram suas críticas à realização de Tóquio 2020. Na segunda-feira (12), Kurt Streeter, do The New York Times, defendeu a tese de que os Jogos devem ser novamente adiados – ou mesmo cancelados. Em “É tempo de repensar a Olimpíada“, ele afirma, entre outras coisas, que “os Jogos podem acabar sendo um super disseminador da doença e levar à morte de pessoas em todo o planeta”.

O britânico The Guardian, por sua vez, reforçou que a vida das pessoas deve vir à frente de quaisquer perdas financeiras que o cancelamento do evento possa causar. Em editorial lançado hoje, o jornal afirmou que os organizadores devem garantir que “as regras (de distanciamento) sejam aplicadas”. E acrescentou: “sem dúvida, o cancelamento dos Jogos acarretaria em decepções e prejuízos financeiros. No entanto, esses fatores devem ser pesados ​​contra qualquer risco de que as Olimpíadas piorem a pandemia.”

Apenas as guerras mundiais deixaram lacunas no calendário olímpico; não houve Jogos em 1916, 1940 e 1944. O cancelamento deste ano seria devastador para os atletas, que em muitos casos podem estar perdendo sua única oportunidade de disputar o evento.

O Japão não quer entregar o prestígio de sediar o primeiro grande evento esportivo desde o início da pandemia à China, que vai hospedar a Olimpíada de Inverno em 2022. E com o crescente pedido por um boicote ao evento de Pequim, o COI está ainda mais comprometido com a realização de Tóquio 2020.

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